HILDA E FREUD


De Antonio Quinet e direção dele e Regina Miranda

A análise da poeta Hilda Doolittle com Sigmund Freud na Viena dos anos 30, compõe um dos mais importantes testemunhos sobre a prática da psicanálise efetuada por seu fundador. Durante a ascensão do nazismo, Hilda expõe com detalhes seus encontros no consultório do pai da psicanálise, onde se despe de qualquer censura para reviver seu conturbado passado que resultou em um bloqueio literário. A vida de uma mulher à frente de seu tempo, dona de um percurso marcado pelos traumas deixados durante a I Guerra Mundial, seus medos, amores, lutas, sonhos e alucinações suscitam em seu analista intervenções geniais que mudam a vida da escritora, além de fortalecer uma relação de forte amizade entre os dois.

Dia 04 de março de 2016, às 20h, reestreia o espetáculo Hilda e Freud, de Antonio Quinet, com direção dele e Regina Miranda, no Teatro Maison de France, no Centro da cidade. Segundo o psicanalista (autor, diretor e ator) Antonio Quinet, “As pessoas vão ver um Freud em ação de uma forma inimaginável através da visão de uma paciente, e não de seus próprios relatos”. A convite do Freud Museum, duas temporadas do espetáculo foram apresentadas, uma em 2013 e uma em 2015, em Londres, quando do lançamento do livro da peça em inglês. Em agosto do mesmo ano, Hilda e Freud também passou pela cidade de Buenos Aires, na Argentina, para em novembro fazer sua estreia nacional no palco da Cidade das Artes (Rio de Janeiro/RJ). Nas apresentações internacionais, Quinet contou com atrizes convidadas. Para a estreia nacional, ele chamou a atriz Bel Kutner, que se encantou imediatamente com o projeto. “Há um ano o Antonio me procurou e surgiu uma vontade de trabalharmos juntos. Depois de outros textos de sua autoria ele me apresentou Hilda e Freud e eu fiquei alucinada. Hilda era uma mulher muito sensível, que passou por coisas tenebrosas e buscou sua salvação na arte, na poesia e na psicanálise, numa época que a psicanálise estava florescendo, enquanto o mundo se deteriorava por conta das guerras. Ela pertenceu à nata da intelectualidade inglesa, e, nos anos 70, depois de sua morte, foi transformada num ícone do universo feminista por assumir em vida sua veia artística e sua bissexualidade. Uma guerreira que sobreviveu através de sua arte e sua história”.

Baseada nos escritos e na correspondência de Hilda Doolittle (1886-1961), os espectadores assistem à trajetória e aos conflitos dessa delicada escritora e sua relação de amor em versos livres, definição de sua relação com seu psicanalista. Com uma vida afetiva libertária e tumultuada, de uma sensibilidade extrema e melancólica, H.D. fez algumas tentativas de análise até chegar ao divã de Freud. Em março de 1933, desembarcou em Viena e instalou-se num hotel para sessões diárias no divã em que fez sua “grande viagem” com o Professor, o “médico irrepreensível”.

Durante esse período escreveu o diário de sua análise, com sonhos, associações, devaneios e intervenções de Freud. O relato, chamado por ela de Advento, é intenso, emocionante e em carne viva. Ela com 47 anos e ele com 77 anos iniciaram uma relação - primeiro analítica e depois de amizade - que durou até o final da vida de Freud. Em 1944, H.D. reescreveu sua experiência analítica em forma de breves capítulos, uma prosa poética em que, mesclando sonhos, realidade e imaginação, traz a narrativa reinterpretada dessa análise como um grande tributo amoroso a Freud. Neste texto, Escrito na parede, transformou uma experiência alucinatória enigmática no eixo de sua análise, mostrando Freud como um “curador de um grande museu arqueológico”, que é ao mesmo tempo o consultório e seu inconsciente. Ambos os textos compõem o livro Tribute to Freud, constituindo um testemunho, dentre os mais importantes de seus pacientes, sobre a prática da psicanálise por seu fundador.

A peça mescla uma linguagem poética e erudita com projeções contemporâneas que ambientam o expectador na imaginação e no inconsciente dos personagens. A direção de arte e cenografia assinadas por Analu Prestes, transportam o público para o poder evocador dos versos e das imagens poéticas do universo imaginista (movimento literário inglês) do qual Hilda Doolittle foi o símbolo. A produção dá continuidade à pesquisa “Teatro e psicanálise”, desenvolvida por Antonio Quinet no âmbito do mestrado e doutorado da Universidade Veiga de Almeida, na qual pretende transmitir a psicanálise através do teatro, e assim levar ao público, artisticamente, as descobertas da do inconsciente. Aos domingos, após as apresentações, os atores farão debates com mestres da psicanálise e artistas do mundo teatral.

Hilda e Freud é também resultado de uma bem-sucedida parceria entre Quinet e Regina Miranda. Ambos uniram o pensamento coreográfico teatral com o pensamento da psicologia do teatro em movimento. “Nós temos uma longa história juntos. Em quase dez anos de parceria, descobrimos que compartilhávamos dos mesmos objetivos. Foi gerada uma confiança mútua. Um desejo de tornar público um conhecimento pela via estética”, reflete Regina. Assim como Antonio Quinet, a diretora, conhecida internacionalmente como uma das mais conceituadas coreógrafas e gestoras culturais, sempre nutriu a vontade de disseminar a psicologia através da arte. “Somos complementares. Temos visões distintas sobre a mesma coisa: a subjetividade. Por isso nosso diálogo é muito rico”, conclui.

Sinopse:
Análise da poeta Hilda Doolittle com Sigmund Freud na Viena dos anos 30 durante a ascensão do nazismo. O público mergulha no mundo onírico da escritora e acompanha as intervenções geniais do inventor da psicanálise. Uma "relação de amor em versos livres".

Cia. Inconsciente em Cena_Fundada por Antonio Quinet em 2007 a Cia. Inconsciente em Cena cria e apresenta seus espetáculos baseados em pesquisas sobre a relação do teatro com a psicanálise junto ao Mestrado de Psicanálise, Saúde e Sociedade da UVA (apoiado pela Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano), com o objetivo de trazer ao grande público numa linguagem teatral as descobertas da psicanálise. As peças da Cia. Inconsciente em Cena já foram apresentadas nas principais capitais do país e também em Roma, Paris, Londres e Buenos Aires.

Antonio Quinet_Psicanalista (Membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano) e Doutor em filosofia (Université Paris VIII – orientação de Alain Badiou). Tradutor de Lacan no Brasil e professor do mestrado e Doutorado em psicanálise, Saúde e Sociedade (UVA) onde desenvolve a pesquisa Teatro e Psicanálise. Dramaturgo e diretor da Cia. Inconsciente em Cena e autor de 8 livros de psicanálise e 6 peças de teatro. Escreveu e dirigiu as peças “X,Y e S – o teatro íntimo de Strimberg”, “Artorquato” e “Óidipous, filho de Laios”. Encenou em Roma, “O sintoma – variações freudianas 1”, em Paris “La Leçon de Charcot – théatre hystérique” e em Londres “Hilda & Freud – collected words”, que escreveu, dirigiu e atuou.

Bel Kutner_A atriz já participou de mais de vinte espetáculos teatrais, como “Oportunidade Rara”, de Hamilton Vaz Pereira, “Histórias de Amor Líquido”, dirigida por Paulo José e “Tio Vânia”, de Tchecov e direção de Aderbal Freire-Filho. Na TV, trabalhou em novelas e minisséries, como “Começar de Novo”, “A Favorita”, “O Astro”, “Amor à Vida” e “Verdades Secretas”. Diretora premiada, esteve à frente da direção de “Maratona de NY” e “O Conto da Ilha Desconhecida”, de José Saramago.

Regina Miranda_Diretora-fundadora da Cia. Regina Miranda e AtoresBailarinos, Regina Miranda, é premiada coreógrafa e gestora cultural com bacharelado em teoria da dança (State University of New York), pós-graduação em Análise de Movimento (Laban/Bartenieff Institute – NY) e mestrado em Ciências, com foco em Liderança Cultural (Ken Blanchard School of Business/Grand Canyon University). A Cia. criada em 1980, insere-se na tradição estética labaniana, que confere primazia à qualidade emocional e multiplicidade de sentidos gerada pelo gesto. Regina criou e dirigiu mais de 40 espetáculos de teatro, dança e performance. Em seu trabalho cênico, busca realizar performances instigantes, apresentadas em teatros, galerias de arte e numerosos espaços não convencionais. Na direção geral e artística da Companhia, Regina conta com a colaboração do Núcleo de Criação formado por Adriana Bonfatti, Ana Bevilaqua, Marina Salomon, todas com mais de 20 anos de trabalho com a diretora/coreógrafa. Entre os muitos trabalhos criados pela coreógrafa para a companhia citamos: Heliogábalo, Encontros e partidas, Sonata nº7, Duplos Sentimentos, Salão de Danças, Paralelos Naturais, Curto Circuito, Suíte de Tangos, A Divina Comédia - MAM, A Desordem, Moosbrugger Dances, Restos de Carnaval em Copacabana, Rua Alice 75, Vertigo, Orfeu, Geografias Pessoais, Klein e Clark: Práticas de Liberdade, Manuscritos de Leonardo e Vertigem das Listas. Desde sua criação, a Cia., que completa 35 anos, recebeu inúmeros prêmios nacionais e internacionais, sendo os mais recentes em 2013, quando recebeu o Prêmio da Prefeitura do Rio para a manutenção de suas atividades e em 2014, quando recebeu da FUNARTE o Premio de Artes na Rua.


Horários

Sexta-feira: 20:00 - R$ 60,00 e R$ 30,00(meia)
Sábados e Domingos: 18:00 - R$ 70,00 e R$ 35,00(meia)

Elenco

Bel Kutner e Antonio Quinet

Ficha Técnica

Texto: Antonio Quinet
Direção de arte e cenografia: Analu Prestes
Videocenografia: Mídias Organizadas
Iluminação: Fernanda Mantovani e Tiago Mantovani
Trilha Sonora: Regina Miranda sobre a obra de Rodolfo Caesar, Alberto Iglesias e Philip Glass Ensemble
Figurino: Beto de Abreu
Visagismo: Uirande Holanda
Preparação vocal: Rose Gonçalves
Fotografia: Flavio Colker
Programação visual: Mary Paz
Assessoria de imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação
Comunicação em mídias sociais: Radha Barcelos
Direção de produção: Alice Cavalcante e Conrado Lima - Sábios Projetos
Assistência de produção: Luísa Reis
Co-produção: Sábios Projetos e Atos e Divãs
Realização: Cia Inconsciente em Cena

Direção: Antonio Quinet e Regina Miranda
Texto: Antonio Quinet




O Teatro


Desde sua inauguração, ao inicio dos anos 50, o Teatro Maison de France foi palco dos principais acontecimentos teatrais cariocas e marcou para sempre a vida cultural da cidade. Foi ali que Fernanda Montenegro e Fernando Torrres encenaram por dois anos seguidos o maior sucesso da carreira deles, a peça “E” nos anos 60 e que o público carioca entrou em contato com as experiências da vanguarda do Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrrêa.
O Teatro Maison de France também ficou nas memórias por ter sediado o famoso Prêmio Molière de Teatro que, durante 27 anos, prestigiou o que a classe artística brasileira tem de melhor, apoiado pela Air France.

Em junho de 1985, infelizmente, o teatro fechou suas portas, depois da temporada da peça “A Amante Inglesa” com Paulo Autran e Tônia Carreiro. Esse fechamento foi motivado por razões de segurança, particularmente pelas normas anti-incêndio que estavam obsoletas.


O processo de reabertura
Desde essa época, foram feitas várias tentativas para reabrir o teatro, sem sucesso. Em 1995, o então adido cultural do Consulado da França no Rio de Janeiro, Romaric Sulger Büel incentivou a renovação e a reabertura do Teatro Maison de France. Essa missão foi atribuída ao Instituto Molière, sociedade civil, sem fins lucrativos cujo objetivo fundamental foi a remodelação do Teatro, e posteriormente, sua administração.


Em 1996, o Presidente do Instituto Molière o Sr. Michel Oyharçabal conseguiu, depois de uma complexa negociação, a verba para a reforma do Teatro. Com o apoio indefectível do Sr. Michel Rama, o então responsável do Governo Francês para os imóveis, foi iniciado o projeto arquitetônico, confiado ao Engenheiro Sérgio Moreira Dias, cuja empresa projetou realizações famosas como o Metropolitan, hoje Claro Hall. Os melhores especialistas acústicos e de iluminação foram contratados para otimizar a qualidade do teatro, o sistema de ar condicionado foi instalado para oferecer conforto e silêncio e foram construídos cinco camarins amplos com instalações sanitárias.
Devido as novas normas de segurança, a capacidade do teatro foi reduzida de 500 para 353 lugares e o palco ampliado. A desvalorização do Real em 1999 obrigou o Instituto Molière a buscar patrocinadores para completar a verba disponível. Foi através da lei de Incentivo Fiscal a Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que a Light participou na altura de 20% do projeto de renovação.

A decoração assinada pela decoradora Ana Lúcia Juça combina elementos tais como a pedra São Tomé, madeira e vidro conjugando a sofisticação com modernidade e elegância. No dia 4 de dezembro de 2000, o Embaixador Alain Rouquié e o Sr. Michel Oyharçabal anunciaram o início das obras que demoraram um ano.


A inauguração e o funcionamento do teatro

Inaugurado no dia 1 de fevereiro de 2002 pelo Ministro Francês da Francofonia e da Cooperação, o Teatro Maison de France passou a oferecer uma programação variada, com espetáculos de teatro, dança, música, concertos, sessões de cinema, seminários etc...

O teatro também está disponível para empresas que desejam alugar o espaço para reuniões corporativas e seminários profissionais. Por este fim, ele foi dotado de equipamentos de som e luz de última geração. A primeira peça da retomada do Teatro Maison de France foi “Variações Enigmáticas”, do francês Eric Emmanuel Shmidt, encenado pelo último ator a pisar naquele palco no ano de 1985, Paulo Autran, Cecil Thiré com direção de José Possi Neto.

Depois dessa brilhante reinauguração, o Teatro Maison de France pode se orgulhar de ter acolido espétaculos de prestigios com todos os grandes nomes da dança (Ana Botafogo), da canção (Bibi Ferreira), da opéra ( Barbara Hendricks) e claro do teatro ( Irene Ravache, Marcos Caruso, Natalia Timberg, Pedro Paulo Rangel, Camilla Pitanga ....).
O Teatro Maison de France voltou a ser a referencia carioca quando se trata de qualidade artística, conforto e sofisticação.



Galeria


O Teatro Maison de France é referência carioca quando se trata de qualidade artística, conforto e sofisticação.

Alugue o Teatro


O Teatro Maison de France é o lugar ideal para a realização de seus eventos - coquetéis, workshops, congressos, conferências e lançamentos de peças, filmes e livros etc..

Colação de Grau da FGV





Seminário FIFA-FGV

Números do Teatro Maison de France

Alguns fatos interessantes sobre o Teatro

Atores


2453

Espetáculos Apresentados


146

Eventos Realizados


217

Clientes


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Avenida Presidente Antônio Carlos, 58.

(21) 2544-2533

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Ter. - Sex. a partir das 13h30

Sab. - Dom. a partir das 13h30

Seg. 13h30(Informações) e Cinemaison

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